O diferencial de uma Empresa Júnior

Por Barbara Calderon.

Uma empresa júnior é como qualquer outra empresa: segue as leis, oferece produtos e serviços em troca de compensação monetária, tem recursos humanos, tem recursos de informação, lida com clientes e são orientados por um objetivo.

Todavia, se fosse exatamente como uma empresa sênior, não se chamaria “empresa júnior”. E, então, vem a pergunta: qual a diferença?

Algumas. Uma das principais é que os membros da empresa júnior são, obrigatoriamente, alunos de graduação de uma instituição de ensino superior. Mas, neste post, resolvi tratar daquela que mais me chama a atenção: a formação empreendedora no curto período de tempo (comparada, claro, se estivesse no mercado sênior).

Um “empresário júnior” (ou “juninho”, no jargão do Movimento Empresa Júnior [MEJ]) pode chegar absolutamente cru na empresa: sem conhecimento técnico, sem experiência prévia, sem ter tido a primeira aula na faculdade. Sem requisitos, mas com vontade de aprender e crescer.

Depois do processo seletivo, inicia-se o período trainee. Nesta etapa, o trainee recebe conhecimentos teóricos de toda a sorte que o ajudarão a navegar na sua jornada no MEJ, na Empresa Júnior (EJ) e também como profissional. Ele, ou ela, recebe conhecimento técnico para criar os produtos da empresa, ofertar seus serviços, e também exercer atividades inerentes à existência de toda empresa.

Se passar pelo processo trainee, torna-se membro efetivo.

E aí as coisas começam a mudar mais um pouco.

Quando se torna membro efetivo, o membro possui conhecimento mínimo necessário para alavancar seus primeiros vôos: pode-se pleitear um cargo da Direção Executiva da empresa e, para conquistar, precisa ser eleito. Ou seja, precisa demonstrar que possui conhecimento mínimo necessário e vontade gigante para dar o próximo passo. Mas ele não está sozinho: durante sua jornada para cumprir as etapas da eleição, ele conta com o apoio da rede catarinense (no nosso caso, a FEJESC) para auxiliá-lo a tirar dúvidas, fazer benchmarkings com outras Empresas Juniores (EJs), extrair conhecimento, trocar experiências e, por que não?, criar networking com outros juninhos e pós-juninhos.

Caso eleito, será responsável por uma das áreas da EJ pelo próximo semestre (ou ano, depende da EJ).

E assim, a EJ catapulta seu membro para um nível ainda mais profundo de conhecimento sobre uma determinada área, em um relativo curto período de tempo. No mercado sênior, isso levaria muito mais tempo.

O membro vai aprender sobre, e executar na prática, juntamente com uma rede de apoio, o funcionamento da empresa naquele setor. E, caso deseje, no semestre seguinte, poderá pleitear um novo cargo em nova Diretoria Executiva.

Mas digamos que ele não deseje um cargo na Diretoria Executiva. Digamos que ele apenas deseje trocar de área, “rotacionar” pela empresa para executar atividades e absorver conhecimentos. Totalmente possível. Em ambos os casos, o membro pode conhecer e ser responsável pelo funcionamento de uma empresa em um tempo relativamente mais curto caso estivesse em uma empresa sênior.

E essa vivência empresarial tem um valor inestimável: munido da infraestrutura da empresa, da execução prática (que o leva à experiência) e dos demais membros, toda essa equipe é capaz de alcançar resultados propostos a partir de um engajamento coletivo. São desenvolvidas desde habilidades de liderança, planejamento estratégico, até gestão de tempo e projetos. E mais: poderá conhecer os aspectos jurídicos, financeiros e administrativos de uma empresa que funciona no mercado, com clientes e colaboradores reais. Vamos lembrar que a empresa júnior é gerida por alunos da graduação, sem professores ou membros externos que atuem nela. São os alunos colocando em prática os conhecimentos teóricos adquiridos na EJ e na Universidade – e sendo responsáveis pelos processos.

Ou seja, na EJ, o indivíduo não precisa fundar sua primeira empresa para aprender sobre o funcionamento de uma, ou ter sua primeira experiência. Ele pode iniciar dentro de uma EJ e aprender ali dentro, com toda uma rede de apoio que, em conjunto, promove uma troca de informações, conhecimentos e experiências que são únicas e valiosas. Afinal, essa é a missão do Movimento Empresa Júnior:

“Formar, por meio da vivência empresarial, empreendedores comprometidos e capazes de transformar o Brasil.”

Que o diga os fundadores do Ifood, da Pipefy e da Politize: todos ex-juninhos do MEJ.

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